Autor: Michele Bem de Lima Grossi
As Oficinas de Oração e Vida foram muito benéficas para mim. O nome do livro “Trilha”, diz muito do que eu sinto em relação aos TOV; foi uma jornada muito bonita de aprendizagem e direcionamento. Posso dizer que essa caminhada esclareceu muitas coisas para mim, coisas que podem parecer óbvias, mas, quando apresentadas da forma que foi, fazem mais sentido. Uma coisa é dizer que, por exemplo, rezar sozinha em silêncio é bom; outra coisa é apresentar o porquê, ler passagens da Bíblia sobre como Jesus fazia isso, escutar sobre como pode ser aplicado na minha vida e depois, ao inserir no cotidiano, ver a diferença que essa ação faz.
Durante as 10 semanas, pude observar que cada encontro tornava mais fácil me aproximar e conversar com Deus. Essa facilidade foi realmente transformadora. Gostaria de ressaltar, entre as modalidades, a Oração de Abandono, como a maior mudança para mim. Apesar de abordá-la mais adiante no texto, posso afirmar que foi extremamente libertador; com certeza é algo que vou levar para o resto da minha vida. É claro que cada aprendizado se transformou de alguma forma e vou levar para o restante da minha “trilha”, que com certeza não vai se encerrar no deserto, mas a Oração de Abandono foi a que mais me marcou.
Como afirmei anteriormente, enxergo as Oficinas como uma caminhada, mais especificamente o início desta. A primeira sessão “Uma Grande Notícia” foi a melhor partida para essa jornada. Tudo começa, tem base, na seguinte afirmação: “Jesus te ama”. É muito bonito como uma simples afirmação pode abrir tantas portas. Jesus me ama! É a melhor notícia que alguém pode receber. Como eu disse, é algo tão simples que já está tão inserido em nossas vidas — celebramos a Páscoa, escutamos sobre a vida de Jesus —, mas quando paramos para refletir percebemos o tamanho disso. É isso que abre caminhos. Essa reflexão continua, observar no cotidiano, e é por isso que gosto muito da vivência dessa semana: “Jesus, eu também te amo”, pois, além de perceber o seu amor por mim, afirmo que é recíproco, em uma única e curta frase.
Já abordei a Oração de Abandono e afirmei que é a minha predileta. O motivo disso tem base na sensação de paz que ela me traz. Está tudo bem, Jesus está comigo, vou entregar esse problema que não tenho como resolver para ele! Essa simples ação tira muitos pesos das costas. São tantas coisas que muitas vezes não temos controle, mas queremos resolver. É algo que requer esforço; muitas vezes tendemos a não abandonar nas mãos de Deus, mas com o tempo esse processo ficou mais fácil até se tornar quase natural: “Entrego a ti, Senhor!”
A terceira sessão vai ficar guardada em meu coração para sempre! “O Fracasso de Jesus”. Muitas vezes enxergamos Jesus de uma forma muito distante, e isso dificulta nossa busca. Ele passou por muitas coisas que nós passamos, podemos pedir ajuda a ele. A oração visual, por sua vez, nos permite penetrar na imagem de Jesus e ver seus detalhes, fracassos, humanidade…
A quarta sessão, “Mulher de fé e mãe”, me ensinou algo muito importante a partir da história de Maria: ensinou a confiar nos planos de Deus. Ele sabe o que é melhor para mim, essa entrega é algo que, até então, eu não tinha toda a devida atenção. Maria ensina muito sobre ser forte na fé. A oração de louvor e intercessão me fez sentir como ela ao escrever louvores a Deus: “Quão grande tu és!”
“Orou – Amou” é a quinta sessão. Eu diria que é uma das mais importantes. O quanto o perdão, a libertação e o amor são práticas que devem ser constantes na nossa vida: retirar as pedras do caminho, semear luz e, acima de tudo, saber perdoar. São coisas que demandam a oração e essa conexão com Deus, pois não é fácil.
Posso afirmar que a sexta sessão, “Pobre entre os pobres”, é a minha segunda favorita. Jesus andava com os marginalizados, os pobres. Eram eles que precisavam do amor de Deus. Amar o amável é fácil, agora tente amar o outro, o excluído.
A sétima sessão “pisar suas pegadas” me ensinou a sempre buscar agir como Jesus. A frase “o que faria Jesus no meu lugar?”, está presente no meu cotidiano desde então. Colocar em prática os seus ensinamentos, suas ações, sua paciência, ternura, perdão…. Foi uma semana desafiadora, por consequência, transformadora!
“Cara a Cara” foi a oitava sessão. Na minha percepção, o auge da oficina, vejo como um compilado de tudo aquilo que foi visto anteriormente. Olho no olho, foi a sessão que me permitiu me aproximar de Deus como nunca antes, conversar, estar de frente, às vezes só ficar em silêncio contemplando sua presença, me trouxe paz.
O nome da nona sessão soa como uma despedida “deixando as redes”, porém não vejo como tal. É um ciclo, agora é minha vez de passar para frente o que me foi ensinado; desejo a todos que possam sentir o que eu senti, se libertar como eu me libertei, conhecer Jesus como eu conheci.
O que dizer sobre o deserto. É difícil encontrar palavras para a sensação que este me trouxe. O mais perto que eu posso usar é paz, presença, paz na presença de Deus. Eu e Ele, como uma dupla, passamos 4 horas conversando, lendo, cantando, descansando, foi simplesmente incrível!


