Os amados não podem deixar de amar. Só os livres libertam, e os livres libertam sempre. Os semeadores de conflitos, na família ou no trabalho, são sempre espinho e fogo para os outros porque estão em eterno conflito consigo mesmo. Não aceitam ninguém porque não aceitam a si mesmos. Semeiam divisões e ódio ao seu redor porque odeiam a si mesmos.
É tempo perdido e pura utopia preocupar-se em fazer felizes os outros se nós mesmos não o somos; se nossa casa está cheia de escombros, chamas e agonia. Temos que começar é por nós mesmos.
Só faremos felizes os outros na medida em que nós mesmos o formos. E, concretamente, ser feliz quer dizer sofrer menos. Na medida em que vão secando as fontes do sofrimento, o coração começa a se encher de gozo e de liberdade.
No fim, não sobra alternativa a não ser esta: agonizar ou viver. O sofrimento faz a gente agonizar. Eliminando o sofrimento, o ser humano recomeça automaticamente a reviver, a gozar daquela sorte que chamamos de vida. Na medida em que a pessoa consegue arrancar as raízes das penas e dores, sobe o termômetro da embriaguez e do gozo vital. Viver, em poucas palavras, já é ser feliz.
A força deste gozo vital lança a pessoa em direção aos seus semelhantes com esplendores de primavera e compromissos secretos.
Vamos atrás desta tocha, e pelo caminho saltaremos os escolhos e as escamas cairão. De dentro da noite começará a surgir, palmo a palmo, uma figura feita de claridade e alegria: o homem novo reconciliado com o sofrimento, irmanado com a dor, peregrino da liberdade e do amor.
Extraído do livro “Sofrimento e Paz” de Frei Ignácio Larrañaga.
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