Faça-se a Tua vontade
Só tem sentido crer na luz quando é de noite.
Querido amigo, para crescer em meio à tribulação, e se livrar do desastre, é preciso seguir em frente segurando firmemente as duas rédeas com as quais o Grande Auriga nos conduz: a Confiança (porque Ele conhece e consente tudo o que nos acontece de doloroso) e seu Amor (que sabemos que tem por nós ainda que sensivelmente não o sintamos).
Quando temos de passar pela tribulação e pela noite escura do espírito, temos que fazê-lo estando muito conscientes e despertos, assim como também com um esforço, não violento, mas constante, para nos manter em pé. Faça o que puder para superar corajosamente as dificuldades, nos dirá Santa Teresa d’Ávila; sem procurar fugir, nem se evadir, lançando-se nos braços de consolos mundanos, que é uma das tentações mais recorrentes.
A terapia do abandono é o caminho mais eficaz para a superação e a libertação desses momentos difíceis que temos que passar na vida.
Senhor, foste Tu quem me fizestes descer a este turbilhão de trevas como portador da Tua tocha?
Acaso julgas que meu coração é forte o suficiente para não desfalecer? Que minha mão é firme o suficiente para não tremer? E, no entanto, meu ser sabe que é impotente e fraco. Por que não manifestas Tua presença? Por que não me dás algum sinal de segurança?
É nessas situações que se necessita de uma fé adulta, incansável, tenaz, para que o mal-estar da dor não invada irremediavelmente o ser, mas, sim, abandonando toda resistência, todo o arrazoado, entregue-se nos braços de uma confiança envolta em silêncio e amoroso abandono. Isto é crer sem ver as cartas: FÉ.
Essa é a fé que move montanhas e que dá ao crente uma consistência indestrutível. E, ainda que a fé seja um dom de Deus, por parte do homem, é um bonito ato de gratidão e amor para Deus. Porque, nesses momentos, o filho não tem argumentos válidos nem razões que o tranquilizem, mas, em plena escuridão, lança-se nos braços do Pai, a quem não vê, nem sente. Entrega-se em plena escuridão, só pela fé. Há muito mérito por parte do homem e uma homenagem de amor a Deus.
E, agora, querido amigo, neste momento, faça silêncio exterior e interior, recline a cabeça nos braços amorosos do Pai, ponha-se no lugar de Jesus e procure orar como Ele.
Com a ajuda do Espírito Santo que ora em você, imagine Jesus em oração. Sempre só e em silêncio. Essas eram as constantes da oração pessoal de Jesus.
Imagine Jesus em adoração, de madrugada. Essa é a permanente temperatura interior de Jesus, sempre voltado para seu amado Pai. O Filho olha o Pai e o Pai olha o Filho. O Filho se sente olhado pelo Pai … e esse olhar mutuo é como um manto que envolve os dois num cálido abraço de ternura… Coloque-se nessa mesma intimidade diante do Pai.
Igual a Jesus, abra de par em par as portas da tua intimidade para o Pai, confiando plenamente em seu Amor.
Sob a condução do Espirito Santo, em estado de grande concentração, respeito e muita fé, procure entrar na intimidade de Jesus e, ali, trate de sentir e viver o que Ele sentiria ao dizer: Pai, que Teu filho sempre Te glorifique. Santificado seja Teu nome. Pai Justo, glorifica Teu nome.
(Faça pausa após repetir cada uma dessas frases.)
Sempre com o auxílio do Espírito Santo, coloque-se no interior de Jesus e reviva aquelas emoções de submissão e abandono que Jesus sentia ao dizer: Não se faça o que eu quero, mas o que Tu queres. Meu Pai, faça-se a Tua vontade. A vida eterna é que conheçam a Ti, único e verdadeiro Deus.
(Faça pausa após repetir cada uma dessas frases.)
Procure experimentar o que Jesus sentia (fazendo uma pausa entre cada frase) ao dizer:
- Abba, Pai querido, tudo que me dás vem de Ti…
- Permaneces em mim misteriosamente, como um amigo sempre presente, preenchendo todas as minhas aspirações…
- Saí de Ti e regressarei a Ti, ó meu Pai!
- Tudo que é meu é Teu e tudo que é Teu é meu. Possuo contigo toda a criação, pois todo o universo Te pertence…
- Pai, que eu Te glorifique cumprindo a missão que Tu me confiaste…
- Convidas-me a colaborar em Tua obra redentora, a trabalhar contigo com todas as minhas forças…
- Pai querido, aceito com paz tudo que dispões para mim. Seja feita a Tua vontade… (Pausa)
Pai, em Tuas mãos me entrego. Faze de mim o que quiseres.
Por tudo que fizeres de mim, eu Te agradeço.
Estou disposto a tudo, aceito tudo, contanto que a Tua vontade seja feita em mim e em todas as Tuas criaturas. Não desejo mais nada, meu Deus.
Ponho miha alma em Tuas mãos, entrego-a a Ti, meu Deus, com todo o ardor do meu coração porque Te amo, e é para mim uma necessidade de amor dar-me, entregar-me em Tuas mãos, sem medida, com infinita confiança, porque Tu és meu Pai. Amém.
Oração de Abandono, de Charles de Foucauld (E. 33)
Termine rezando no espírito de Jesus a oração que ele mesmo rezava e que nos ensinou: Pai nosso… Santificado seja Teu nome… venha a nós o Teu reino… Perdoa-nos as nossas ofensas como nós perdoamos…
Canto: O Homem, T. 40
Canto Hágase en mí, S. 9 (Este canto no hay en Brasil.)


