Uma fraternidade terá êxito se Deus for o motivo dos comportamentos fraternos.
Na intimidade do homem, entre mil possíveis opções, há uma opção. Cumprimento ou não essa pessoa que ontem me importunou? A cada decisão corresponde sempre um motivo impulsor, às vezes não muito bem vislumbrado. Vou cumprimentá-la (decisão). Motivo? Temor de perder a boa imagem diante da opinião pública. Vou deixar de cumprimentá-la durante três dias (decisão) para que (motivo) tome consciência de que me ofendeu.
O motivo que impede e concretiza nossa conduta, às vezes, é confuso. Tivemos uma revisão de vida na fraternidade. No decorrer da reflexão, alguém assumiu e manteve uma atitude altiva, quase agressiva, diante dos outros irmãos. Conversando com ele mais tarde, em particular, disse que procedeu assim porque estava convencido de que essa era a posição correta. Mas acabou reconhecendo que o impulso profundo de sua atitude foi a necessidade de autoafirmação.
Outras vezes, os motivos que aparecem em primeiro plano não são os verdadeiros propulsores; são outros que estão enterrados nas profundidades.
A pessoa dominou uma explosão, cedeu em uma discussão, calou-se em uma polêmica. Crê que o fez por humildade ou por sentido fraterno. Mas os verdadeiros motivos foram muito diferentes: medo do ridículo, insegurança, timidez, temor de perder a estima da comunidade.
O motivo de uma sobrestima de si mesmo, pode levar uma pessoa a comportamentos que, à primeira vista, poderiam significar desestima de si mesmo. São jogos estranhos, causados por forças que vêm de regiões muito longínquas!
Comunidade de Fé quer dizer que os irmãos se esforçam para que os sentimentos, os reflexos e a conduta de Jesus sejam o motivo inspirador de suas reações, na convivência de todos os dias.
Em determinado momento surgiram, surgiram no interior de uma pessoa uma legião de impulsos que motivaram a decisão, por exemplo, de manter-se fechada diante de outra, de ferir a susceptibilidade de um tímido agressivo, de minar o prestígio de um autossuficiente… Nesse momento, a Palavra, Jesus e seus critérios, têm que sufocar todos esses impulsos obscuros, para que o irmão perdoe, aceite, estimule os outros irmãos da comunidade.
Nesses casos, a oração deve fazer vivamente presente Deus, cuja lembrança (presença) deve sufocar, em mim, as vozes do instinto, e motivar condutas semelhantes à de Jesus.
Uma vontade revestida e impulsionada por Jesus deve decidir soberanamente em nós, por cima das obscuras forças impulsoras e assim, em vez de ter uma reação explosiva, vou ficar em silêncio, como Jesus diante de Pilatos. Mais tarde, vou dialogar com calma e paz. Depois vou enterrar umas lembranças ingratas de uma desavença. Agora vou ser delicado e paciente com todos, como Jesus foi com os seus.
Tirado do livro “Suba comigo” Capitulo II, Item “ A redenção dos impulsos” de Frei Ignacio Larrañaga








