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Miles de personas en el mundo han recuperado la alegría y el encanto de la vida.

Talleres de Oración y Vida

Padre Ignacio Larrañaga

Milhares de pessoas em todo o mundo
recuperaram a alegria e o encanto da vida.

Oficinas de Oração e Vida

Frei Ignacio Larrañaga

A tentação de Jesus

O Pobre tinha sido tentado pelas correntes e pelas ideias da época. Mas, num processo de oração e de discernimento na solidão do deserto, tinha descoberto que seu caminho era outro. Tinha escapado das armadilhas do tentador, uma por uma. O Espírito de “seu Pai” tinha impregnado e confirmado o esquema de suas ideias, seus programas e projetos. Tinha sido fortificado pelo jejum e pela oração. Estava preparado.

Amanhã mesmo, pensou, vou descer ao vale para começar a rota traçada pelo meu Pai.  Mas o tentador, que não o tinha perdido de vista, vendo sua firmeza e determinação, tratou de submetê-lo a uma última tentação. E, na sua última noite de deserto, teve o último sonho.

O Pobre caminhava solitariamente por uma verde planície, entre anêmonas e margaridas. Ao longe dava para ver um monte solitário e altíssimo, pelo qual o Pobre sentiu, de repente, uma vivíssima e repentina sedução. Decidiu escalá-lo.

Durante a subida, o estranho personagem apareceu outra vez ao seu lado. O Pobre vencendo a repugnância, deixou-se acompanhar humildemente. Enquanto subiam, o Outro foi urdindo a armadilha com palavras misteriosas.

Chegaram ao pico. Dois abutres montavam guarda no alto de um penhasco. O Pobre respirou profundamente. Girando ao redor, pôde contemplar um panorama simplesmente deslumbrante. Seu coração se agitava de emoção e de felicidade ligeiramente perturbada por uma certa inquietude. O Outro estendendo o braço, começou a tentá-lo: Tudo será seu.

– Só quem morre nas raízes, embaixo da neve, vai ver estourar a primavera – replicou humildemente o Pobre.

Você está perdendo sua última oportunidade. Você não é o Messias? Será que não é você que tem que dirigir as caravanas, quebrar os cetros, calcar aos pés todos os reinos com suas riquezas esquadrões, monumentos e templos? Tudo isso é meu. Eu sou o deus que dispões e administra tudo, e ofereço tudo a você numa bandeja de prata para cumprir direitinho o seu destino messiânico. Você vai ser obedecido por sacerdotes e por reis. Todas as raças vão servi-lo. Então você poderá implantar de um extremo ao outro da terra o reinado messiânico de seu Deus Javé.

– Não é pisando forte, mas amando silenciosamente – concluiu o Pobre – não é com cascos militares, mas com farrapos de mendigos, não é ao som de trombetas, mas com ares de misericórdia, não é em companhia de esplêndidas garotas, mas rodeado de leprosos e doentes, que vai estar entre nós o Messias de Deus. Seu reino não virá pelas estradas vitoriosas, mas pelo trilho das obras de misericórdia. Chegamos a fronteira final. Afaste-se de mim, Satanás. Você não deve tentar o Senhor, seu Deus!

Acordou. Lançou um grito selvagem, triunfal de alegria, um aleluia que fez gemer os morros desmatados. Levantou-se e começou imediatamente a voltar. Era um vendaval avançando por cima dos montes e dos vales.

Tirado do livro “O pobre de Nazaré” capitulo 3: “Sob o sol de Satã” de Frei Ignacio Larrañaga.